Que escorram as lágrimas de minha face que se fechem os olhos ao sofrimento que se voltem os rostos ao outro lado que prevaleça a falsidade e o fingimento. Que a cara lavada e a fala macia da língua ladina cumpram o seu labor que se fechem os néscios ouvidos nas cantigas de paz embevecidos que sufoquem pra sempre o amor.
SOB A LUZ DO LAMPIÃO Jorge Linhaça
Vagueio pela noite, insone, solitário sob a luz dos lampiões das avenidas pensando na angústia de minha vida fazendo do soneto o meu corolário
Sob a luz do lampião, esmaecida, estanco e rememoro este meu fadário as alegrias guardadas no relicário as emoções a tanto tempo contidas
As sombras da rua minh'alma sombreiam invade-me com força essa melancolia a dor e a solidão já ora me desnorteiam
A luz do lampião é a minha companhia as mariposas que ali borboleteiam esperam comigo o raiar do novo dia
PALHAÇO DE MIM Jorge Linhaça
Tira a máscara palhaço, deixa a lágrima rolar, Palhaço do peito de aço caminha no teu cadafalso nos lábios o gosto do mar.
Deixa rolar a tristeza em gotas salobras na face baixou o pano, certeza, esquece a tua grandeza tira da cara o disfarce
Chora palhaço o teu pranto ninguém há de o perceber pranteia só, no teu canto, esconde de todos o espanto d'o palhaço também sofrer